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25 de jul de 2010

A Velhinha e a Moto

Todas as manhãs, uma velhinha entrava na alfândega, numa moto da hora. Ela trazia sempre um saquinho de areia na garupa.



O fiscal mandava ela parar. Revistava a moto. Revistava a velhinha e não encontrava nenhum sinal de contrabando. Era só o saquinho de areia e mais nada.

Ele perguntava:

- Vó, o que que a senhora traz aí?

- Areia, meu fio.

- Areia, vó?

- Sim, meu fio. Só areia.

Ele abria o saquinho. Despejava a areia no chão. Remexia a areia. Nada encontrava dentro do saquinho a não ser areia. Então, reconlhia a areia e deixava a velhinha passar.

Mas pensava "Ela me engana. Eu tenho certeza que ela me engana. Não sei como, mas me engana. Afinal, não é possível que ela venha aqui todos os dias pra trazer areia. Um saquinho idiota de areia na garupa. Só areia!"

No dia seguinte, lá vinha a velhinha de novo, toda sorridente e simpática, a cumprimentar o fiscal na maior simplicidade, com aquele maldito saquinho de areia na garupa.

O fiscal, como sempre fazia, antes de revistar o saco, perguntava:

- O que a senhora traz aí, vovó?

- Areia, meu fio.

- Areia de novo, vovó?

- Areia, meu fio.

Ele revistava. Era areia de verdade. Nada mais que areia, nada! Nem muamba, nem jóia, nem bijuteria. E se perguntava "Por que ela faz isso? Todos os dias?".

Até que por fim, certa manhã, já cansado de revistar o saquinho da garupa, ele perguntou francamente à velhinha:

- Vó, sei que a senhora não vem aqui pra nada. Só que eu não consigo descobrir o que a senhora traz. Mas, me diz, vó. A senhora contrabandeia o quê?

- Oi, cê não ispáia não se eu ti contá? - confidenciou a velhinha.

- Não.

- Não ispáia mesmo?

- Não, vó. Juro. Dou minha palavra. Prometo. "Porque não aguento mais revistar a areia e não encontrar nada", pensou. Me diz de uma vez por todas o que a senhora contrabandeia, e eu te deixo passar, livre.

- É a moto!

Fonte: Inspirado numa história narrada pelo escritor carioca Sérgio Porto, mais conhecido por Stanislaw Ponte Preta.

A história foi publicada inicialmente com o título A Velha Contrabandista.

Encontram-se na internet variantes como:

A Velhinha e a Lambreta, A Velha e a Lambreta e agora essa do Conta Outra A Velhinha e a Moto, porque moto está mais em uso atualmente do que lambreta.

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