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24 de fev de 2011

Conto do vigário na Praça - Almoço de Graça

Almoço de Graça é um típico conto do vigário embutido na inocência de uma criança que não se alimenta conforme manda o figurino

conto do vigário-almoço de graça

Essa história fictícia acontece no centro da cidade de Pouso Alegre, Sul do Estado de Minas Gerais.



Quando você vir a Pouso Alegre, verá que em frente da igreja principal da cidade existe uma praça, chamada Praça José Bento.

Todos os dias, nessa praça, como em todas as praças centrais de todas as cidades, há um vaivém de pessoas. Algumas sempre animadas e apressadas. Outras, nem tanto.

É exatamente na praça José Bento, no centro de Pouso Alegre que acontece nossa história.

Neste momento o menino Lucas presta seus serviços de engraxar sapatos. Às vezes ele tem sorte. Isto é, aparecem homens que usam sapatos de couro. Às vezes não, claro, porque a galera prefere andar de tênis. E tênis, como sabemos, não precisa de graxa.

Pois bem, vamos a uma quarta-feira. Dia em que acontece nossa história.

Valdenor, boa pinta, se aproxima de Lucas, já perto da hora do almoço. Pede ao menino para engraxar seus sapatos. Isto é, se há confusão na frase: os sapatos de Valdenor.

Lucas, mais que contente por poder ganhar um dinheirinho nesse dia, começa a engraxar os sapatos de Valdenor.

- "Que sorte", ele suspira. "Nem precisei pedir pra ele engraxar. Ele já sentou e pimba! Hoje é meu dia de sorte", sorriu. Afinal, freguês assim não aparece todos os dias. Lucas sabe disso.

Assim, Ele ficou mais animado ainda. E toca escova no sapato do "doutor".

Mas a surpresa do menino Lucas não para aí. Pois em certo momento Valdenor lhe perguntou:

- Você almoça onde?

- Eu não almoço, seu moço - Lucas respondeu tristemente. - Quando tenho dinheiro como um lanche barato por aí.

- E quando não tem?

- Aí, não como nada. Quando não engraxo sapato, fico sem comer.

- Puxa-vida, Lucas! Que vida atrapalhada você leva, hem! Mas, hoje, anime-se garoto! Vou pagar seu almoço. Um almoço como você nunca teve outro igual. Só precisa fazer uma coisa: me chamar sempre de pai lá no restaurante, está bem?

- E se ninguém não acreditar em mim?

- Por que vão duvidar. Hoje você é meu filho, e eu sou seu pai.

- Que bom, doutor. Já que o senhor vai pagar meu almoço, posso dizer que hoje é meu dia de sorte.

E caprichou mais ainda na graxa nos sapatos do "doutor", até deixá-los brilhantes.

Ao término da engraxada (ainda bem que Valdenor o pagou), Lucas foi ao bar onde guardava seus utensílios. Lavou muito bem o rosto, mãos e braços. Vestiu uma camisa, bermuda e tênis, diferentes dos que usava no trabalho. Em resumo, Lucas se tornou, como em um passe de mágica, um menino bonito.

Valdenor até se assobiou quando o viu:

- Nem parece o Lucas que vi agora há pouco. Que mudança radical, garoto!

Lucas sorriu.

Foram ao restaurante. Lucas nunca havia entrado lá. Valdenor pediu o cardápio e escolheu os pratos, de acordo com o gosto do simpático menino Lucas.

Comeram a comida. Lucas comeu-a com mais garra ainda. Era como se matasse a fome da semana toda.

Valdenor chamou o garçom e pediu o menu de sobremesa. O garçom se aproximou. Valdenou pediu uma banana split, dizendo que era para o menino. Enquanto isso, ele iria à banca buscar um jornal.

- Podemos mandar um mensageiro buscar o jornal de sua preferência - disse-lhe o garçom.

- Não. Prefiro eu mesmo escolher o jornal, conforme a manchete.

- O senhor é igual ao meu patrão - sorriu o simpático garçom. - Ele também pensa assim.

Valdenor saiu. A sobremesa foi servida ao menino. Depois que ele comeu, passado algum tempo, o garçom lhe perguntou:

- Seu pai costuma demorar quando vai buscar jornal?

Lucas respondeu:

- Ele não é meu pai.


Conto: Almoço de Graça

Autor: José Guimarães

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