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1 de fev de 2012

A História de Elisandro e seu Cavalo Risonho

A história de Elisandro e seu cavalo risonho parece uma história qualquer, como tantas que a gente ouve por aí.

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No entanto, o objetivo desta história é um contar um fato que surge na vida de Elisandro. Aconteceu assim:

O cavalo de Elisandro era muito obediente e prestativo. Acompanhava Elisandro pelas ruas de terra do bairro onde eles moravam, sempre a uma certa distância, como se fosse em cão de companhia.

Elisandro o usava diariamente para puxar carroça. Apesar de pesado o veículo de tração animal, o cavalo o puxava com facilidade.

O uso do chicote naquela carroça era proibido. Aliás, Elisandro o aposentara muito tempo atrás. Bastava sua voz de comando para fazer o cavalo andar ou parar.

O nome do cavalo de Elisandro era Vento Forte. Ganhou esse nome porque tinha mania de correr em grande velocidade, como uma rajada de vento.

Tudo ia bem na vida de Elisandro, até que um dia se surpreendeu com o pior. Isto é, logo cedo ao acordar pegou o arreio e foi à estrebaria. O cavalo não estava lá.

- Roubaram meu cavalo – ele disse.

- Roubaram seu cavalo, quem? – perguntou a mulher dele.

- Não sei!

Elisandro não sabia mesmo. A bem da verdade, a partir daí ele fez uma busca na redondeza, a ver se encontrasse o cavalo, de nome Vento Forte.

Andou no primeiro dia. No segundo. No terceiro... Foi à delegacia de polícia. Mas lá, o delegado o interrogou com as perguntas de praxe. Prometeu investigar. Mas o cavalo de Elisandro continuava desaparecido.

--//--

Um dia, no entanto, um carroceiro lhe disse:

- Eu vi um cavalo lá pras bandas do Taquaral. Acho que é o seu.

- Não fala! Tô procurando esse danado. Já passei por lá e não vi nada.

- Dá uma espiada lá. Quem sabe se você não encontra seu cavalo?

Elisandro foi ao endereço fornecido pelo amigo carroceiro. Lá estava o cavalo. Já ia chamar o dono da casa, mas uma ideia melhor lhe ocorreu. Pois, se assim fizesse, alguém levaria o cavalo para outro lugar.

Foi à delegacia! Lá, o delegado de plantão lhe perguntou:

- O senhor tem certeza de que o cavalo que viu nesse endereço é o seu?

- Tenho, sim senhor. É o meuinho, mesmo. Ele está lá e até me reconheceu quando me viu.

- Reconheceu como? – pergunta o delegado, admirado.

- Sorriu para mim. Isto é, se o senhor me entende. Fez uma cara engraçada de que me reconheceu. Daí, saí da vista dele senão ele fazia uma festa. Uma barulheira só.

- “Que história mais confusa é esta desse homem de quem roubam o cavalo? Falar que o cavalo sorriu pra ele...”

- Está bem, senhor Elisandro – disse o delegado, tirando o paletó de trás da cadeira e o vestindo imediatamente. – Irei com o senhor até lá.

- Vou dar um flagrante aqui perto e já volto – disse o delegado aos seus assistentes, na delegacia. – Vamos, seu Elisandro. Quero ver essa história do seu cavalo bem de perto.

--//--

E lá foram. Recebidos pelo dono da casa que logo avisou:

- O cavalo é meu e eu provo que comprei ele.

- Tem documento da compra?

- Tenho, sim senhor.

Mostrou uns papéis ao delegado. O cavalo fora por ele comprado e não deixava dúvida.

- “Entretanto, comprado de quem?” – pergunta o delegado a si próprio. Ele mesmo concluiu:

- “Isso não importa agora. O que importa é ver se o cavalo é mesmo de seu Elisandro. O resto a gente resolve depois.”

Isto é, o delegado estava curioso para ver se o cavalo faria de fato uma festa, quando visse o verdadeiro dono. Desse modo, pediu ao dono da casa que lhes mostrasse o cavalo.

- Pois não, seu delegado – disse o homem de pronto e levou os dois ao fundo da casa.

Lá chegando, qual não foi a maior surpresa de todos? O cavalo deu uma guinchada tão forte que mais parecia uma risada. “Riiiiriririri...” Mostrava os dentes e tudo mais. Depois saltou como se estivesse com muita alegria.

- Pode soltar seu cavalo um minuto, por favor? – perguntou o delegado ao dono da casa.

- Pois não, sim senhor, seu delegado. Posso sim.

O homem soltou o cavalo, e este veio na direção de Elisandro, e lambeu a mão dele. Depois lambeu o braço. E ainda encostou a cabeça no ombro dele. Elisandro o acariciou.

- Tudo bem com você, Vento Forte?

- “Confesso que nunca vi um encontro tão emocionante assim, de um homem e um animal, em toda a minha vida”, sorriu o delegado. E disse ao verdadeiro dono do cavalo.

- Seu Elisandro, pode levar o cavalo. Ele é seu.

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