23 de mar. de 2020

Lavar as Mãos é Preciso para Não Morrer

Lavar as mãos é preciso para não morrer. Ou seja, estamos vivendo numa pandemia que não compramos nem sabemos de onde veio, porque tem mais fake do que fato.



Lavar as Mãos é Preciso

Lavar as mãos é preciso

"Higienize suas mãos, porque uma mão lava a outra e as duas juntas salvam vidas!" 
           Claudete Freitas, enfermeira da Unidade de Pronto Socorro do Hospital Universitário de Brasília (HUB). Ela ganhou um concurso interno da instituição, com essa frase.

É claro que escrevi o texto dessa postagem sugando a célebre frase de Camões: "Navegar é preciso, viver não é preciso".

Se você ainda não sabe quem foi Luis de Camões, posso te dizer que foi um autor dos mais consagrados da Literatura Portuguesa.

Camões escreveu o livro chamado "Os Lusíadas" e ficou famoso por isso. 


  • "O fraco rei faz fraca a forte gente", Luís de Camões.


Claro que ele escreveu mais textos, mas pra esse artigo basta eu citar o livro que conta as longas viagens marítimas.

Gosta de livros? Então, considere ler A Menina que Roubava Livros em Perguntas e Respostas.


Por que eu escrevo esse texto?


Eu escrevo esse texto porque hoje em dia nós somos empurrados a lavar as mãos o tempo inteiro.

Hoje em dia que quero dizer é este ano, 2020, depois do carnaval.

Será que nos bailes de carnaval os foliões lavavam as mãos? 

Antes de comer um sanduíche, um pastel, um hambúrguer ou um cachorro-quente?... 

Será que alguém diria: "Opa! Onde tem lugar pra eu lavar a mão?

Como resposta esse folião receberia um 'hummm" bem longo mesmo.


  • "A verdadeira afeição na longa ausência se prova", Luís de Camões.



Não temos lugar para lavar as mãos


Do vendedor, assim do tipo "não temos um lugar para lavar as mãos".

Claro que o cara da venda diria isso limpando as mãos no avental.

Ele (o avental) era branco, mas agora já se aproxima da cor de terra.  

Mas vamos pensar que houvesse mesmo uma pia ali. O rapaz lavava as mãos e pegava o sanduíche. 

Claro, com direito a um guardanapo de papel para pegar o lanche.

Porém, fico pensando "E antes disso?". 

Nos tempos antes do aparecimento do... coronavírus.

As pessoas não lavavam as mãos?

Sentavam-se às mesas sem lavar as mãos?

Confesso que já fui a inúmeros aniversários, batizados, casamentos...


Aniversários, batizados e casamentos


Na hora de comer, alguém sempre grita lá dos fundos:

— Vamos atacar!

Esse vamos atacar gritado aí significa que você deve chegar a mesa e comer logo. O quanto puder.

Sim, porque em instante já acabou tudo. Isto é, acabou de acabar.

Então, mergulhando na minha longínqua memória de criança, me lembro de quando estudava a escola primária, lá nos anos...

Ah, não é necessário escrever datas aqui. Mesmo porque você não gosta, concorda?


Minha professora primária


O que eu me lembro muito bem e conto pra você agora é de uma cena que presenciei um dia, na hora da merenda.

Minha professora primária, dona Olívia, pegou da bolsa dela um pacotinho e o colocou sobre a mesa.

Não sei se nessa manhã eu era um dos últimos a sair da classe ou se era observador das coisas alheias.

A verdade é que eu não tinha merenda. Aliás, nunca tinha merenda. Então, na hora do recreio, eu tinha de disfarçar, o quanto podia, minha pobreza.

O colegas riquinhos (aqui não tem nada que ver com aquela história de Riquinho, o pobre menino rico).

Continuando, os colegas riquinhos exibiam lanches feitos no capricho por suas mães ou empregadas de suas casas.

Eles eram riquinhos, mas estudavam em escola pública.

Só sei que eu não tinha merenda e pronto! Mas também não tinha o hábito de lavar as mãos.

Isto é, ninguém me disse na infância que devemos lavar as mãos.

A professora também não devia saber disso. Porque se soubesse, teria lavado as mãos antes de comer as ameixas dela.


Ameixas Secas


Isso mesmo! Ameixas secas eram a merenda dela. Bem pretinhas. Suculentas.

A bem da verdade nem sei porque escrevi ameixas suculentas, se naquela época eu nem sequer havia comido ameixas.

Só achei que eram suculentas porque a professora pegou uma, de um jeitinho assim com tanto carinho e a pôs na boca.

Se ela viu que eu a estava olhando, não sei. 

Mas sei que não me ofereceu nenhuma. Nenhumazinha qualquer.

Posso garantir pra você hoje que não fiquei com vontade de comer a ameixa. 

Mas fiquei triste porque a professora não lavou as mãos, antes de comer.

E assim ela não ensinou os alunos a lavarem as mãos também, antes de comer.

Aliás, nunca professora nenhuma, do primário ao ensino médio, falou para nós, os alunos, da importância de lavar as mãos.

Hoje eu me pergunto quanta coisa eu já comi por aí feita por pessoas que não lavam as mãos. 

Inúmeras!

E você?

Artigo escrito por José Guimarães e Silva para ser publicado inicialmente no blog Conta Outra Piada.

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